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1-Panis
Et Circenses
2-A
Minha Menina
3-O
Relógio
4-Maria
Fulô
5-Baby
6-Senhor
F
7-Bat
Macumba
8-Le
Premier Bonheur Du Jour
9-Trem
Fantasma
10-Tempo
No Tempo
11-Ave
Gengis Khan
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MUTANTES (Polydor, 1968) - Produção:
Manoel Barenbein
Primeiro álbum do grupo. É o disco tropicalista
da banda. Espécie de carta de princípio,
reúne, em suas 11 faixas, um pouco das propostas
e possibilidades futuras. Com arranjos de Rogério
Duprat e as participações de Jorge Ben
no violão e voz, e do baterista Dirceu, o faz
um mixer das propostas "fundamentalistas"
da Tropicália - Panis et Circenses, Bat macumba
e Baby - com a irreverência anárquica dos
Mutantes. Fazendo de todos os absurdos, todas as incosequências:
possibilidades - confrontar o principal parceiro de
Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira (Adeus Maria Fulô)
com a existencialista-pop Françoise Hardy (Le
Premier Bonheur du Jour); misturar Jorge Ben (A Minha
Menina), com uma versão (não creditada,
do pai César Dias Baptista) de uma semi-conhecida
canção do grupo norte-americano The Mamas
and The Papas (Tempo no Tempo / Once There was a Time
i Thought) a uivos pré-históricos em homenagem
a Gengis Khan (Ave Gengis Khan) e uma paródia
kafkaniana (Senhor F). Completam o álbum: O Relógio
e Trem Fantasma. (Marcelo Dolabela - bhz out/nov 1999).
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1-Dom
Quixote
2-Não
Vá Se Perder Por Aí
3-Dia
36
4-2.001
5-Algo
Mais
6-Fuga
Nº II Dos Mutantes
7-Banho
de Lua
8-Ritta
Lee
9-Mágica
10-Qualquer
Bobagem
11-Caminhante
Noturno
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MUTANTES (Polydor, 1969) - Produção:
Manoel Barenbein
Depois da estréia em 1968, o Mutantes, agora
sem o artigo Os, lança, em 1969, o primeiro álbum
dentro da verdadeira estética mutantropicalista.
O álbum de 69 é o mais experimental do
grupo. Não há nehum limite. Tudo - literalmente
- tudo é possível. Tudo é funcional
em sua estranheza. Da capa - com o trio simulando Dom
Quixote - Sancho Pancha e Dulcinéia noiva - a
audácia das audácias: gravar um jingle,
da Shell, em um disco (Algo Mais); para o universo pop,
o grupo constrói seus dois maiores hits (Fuga
nº 2 e Caminhante Noturno); regrava Celly Campello
(Banho de Lua); incorpora recursos paranomásicos
da poesia concreta, com o auxílio do "pai"
César Dias Baptista, em Dom Quixote; dialoga
magistralmente com a tropicália enviesada de
Tom Zé, em 2001 e Qualquer Bobagem; grava iê-iê-iê
(Não vá se perder por aí) e psicodelia
(Dia 36, parceria como o hippie performático
Johnny Dandurand) e por fim, faz, talvez a primeira,
meta-canção da MPB, isto é, uma
canção falando sobre a própria
cantora (Rita Lee). O álbum de 69 traz - ainda
de que forma implícita - a participação
dos outros dois mutantes: o baterista Dinho (Ronaldo
Leme) e o contrabaixista (que no disco tocou viola)
Liminha. (Marcelo Dolabela - bhz out/nov 1999).
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1-Ando
Meio Desligado
2-Quem
Tem Mêdo de Brincar de Amor
3-Ave
Lúcifer
4-Desculpe
Babe
5-Meu
Refrigerador Não Funciona
6-Hey
Boy
7-Preciso
Urgentemente Encontrar Um Amigo
8-Chão
de Estrêlas
9-Jôgo
de Calçada
10-Haleluia
11-Oh!
Mulher Infiel
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A DIVINA COMÉDIA OU ANDO MEIO DESLIGADO
(Polydor, 1970) - Produção: Arnaldo
Sacomani
Depois de reler o Dom Quixote, de Miguel de Cervantes,
o Mutantes parte rumo ao inferno da Divina Comédia
e reconstrói o poeta italiano Dante Alighieri
em versão pop-psicodélica. Se o álbum
anterior foi experimental, este de 70 é - no
sentido mais amplo - revolucionário. Nunca, na
história da música brasileira, um grupo/artista
foi tão longe em radicalidade. A Divina Comédia
dos Mutantes jogou por terra todas as divisões
e segmentações musicais. pop - experiência
- vanguarda - cafonice - rigor - informalidade - rock,
tudo se fundiu. Roberto Carlos & Erasmo Carlos (Preciso
Urgentemente Encontrar um Amigo) com Sílvio caldas
& Orestes Barbosa (Chão de Estrelas - o melhor
arranjo - de Rogério Duprat - já realizou
na MPB) bate cabeça com Dante (Ave Lúcifer
e Oh! Mulher Infiel. Ao quinteto - Arnaldo - Dinho -
Liminha - Rita & Sérgio), se juntam, em participações
mais do que especiais: raphael Vilardi, violão
e voz; e o percussionista Naná Vasconcelos. Nos
arranjos, o tom magistral de Duprat. (Marcelo Dolabela
- bhz out/nov 1999).
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1-Top
Top
2-Benvinda
3-Tecnicolor
4-El
Justiciero
5-It’s
Very Nice Pra Xuxu
6-Portugal
de Navio
7-Virgínia
8-Jardim
Elétrico
9-Lady,
Lady
10-Saravá
11-Baby
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JARDIM ELÉTRICO (Polydor, 1971) - Produção:
Arnaldo Baptista
Depois de três álbuns - um tropicalista,
um experimental e um revolucionário - , o Mutantes
lança o seu disco mais estranho. O jardim Elétrico
é, sonoramente, bem proxímo da fotografia
da contracapa. O quinteto zoando em um estúdio,
entre parafernálias elétricas, instrumentos
acústicos e alguns estimulantes. Basta notar que
pela primeira e única vez, sempre que Rita lee
e Sérgio Dias participam como compositores de uma
música, é esta a sequência dos nomes,
o que, à la Lucy in the Sky with Diamonds, dá
para ler L (Lee) S (Sérgio) D (Dias). Disco de
zoeira. Traz outro hit do grupo Top Top, um hard rock
infernal Jardim Elétrico; uma doce versão
(para o inglês) de Baby e uma paródia - homenagem
a Tim Maia, Bemvinda. Completando o álbum: Tecnicolor,
El Justiceiro; It's Very Nice pra Xuxu; Virgínia;
Lady, Lady; Batmacumba e Saravá. (Marcelo Dolabela
- bhz out/nov 1999). |
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1-Posso
Perder Minha Mulher, Minha Mãe,
Desde Que Eu Tenha O Meu Rock and Roll
2-Vida
De Cachorro
3-Dune
Buggy
4-Cantor
de Mambo
5-Beijo
Exagerado
6-Balada
do Louco
7-A
Hora e a Vêz do Cabelo Nascer
8-Rua
Augusta
9-Mutantes
e Seus Cometas No País do Baurets
10-Todo
Mundo Pastou II
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MUTANTES E SEUS COMETAS NO PAÍS DO BAURETS
(Polydor, 1972) - Produção: Arnaldo
Baptista 1972 é o primeiro
ano (chave) do resto da vida do Mutantes. Com o Baurets,
Rita Lee dá adeus ao grupo. Mas antes, se une
Arnaldo - Dinho - Liminha & Sérgio no álbum
mais rock'n'roll. De Posso perder minha mulher, minha
mãe, desde que eu tenha meu rock'n'roll até
Rua Augusta, o disco é uma pauleira (ou lenha,
como gosta de nomear Arnaldo Baptista) do começo
ao fim. E dá-lhe rock and roll em Dune Buggy,
Beijo Exagerado e A Hora e a vez do Cabelo Nascer (esta
magistralmente regravada pelo Sepultura. Em contraponto,
as suavidades ácidas de Vida de Cachorro e o
hit dos hits do grupo Balada do Louco. No setor lisergia,
a ópera-surrealista-progressiva de Mutantes e
Seus Cometas no País dos Baurets, que inclui
uma releitura de Tempo no Tempo / I Once There was a
Time i Thought, do primeiro disco; e a vinheta dadísta
Todo Mundo Pastou I e II. Ainda sobre o Baurets, resta
dizer que o título do álbum e a canção
homônima relêem mais um pilar da literatura
mundial, o inglês Lewis carroll, e seu Alice no
País das Maravilhas. É, obviamnte, o senhor
Bill Halley e seu topete chuca e seus comets. (Marcelo
Dolabela - bhz out/nov 1999)
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1-A
e o Z
2-Rolling
Stones
3-Você
Sabe
4-Hey
Joe
5-Uma
Pessôa Só
6-Ainda
Vou Transar ComVocê
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O A E O Z (Philips, 1992; gravado em 1973)
- Produção: Mutantes
Com a saída de Rita Lee, o quarteto -
Arnaldo - Dinho - liminha e Sérgio - ainda
grava, em 1973, um novo disco, que fica inédito
até 1992. O A e o Z é a exacerbação
da ópera-surrealista-progressiva Mutantes
e Seus Cometas no País dos Baurets, do
disco anterior. As seis faixas do álbum,
embora independentes uma das outras, compões
uma longa trilha sonora para um filme à
la Zabriskie point, de Antonioni. Viagem. Trip.
Good Trip. Da autobiográfica (de Arnaldo)
Rolling Stones a Uma Pessoa Só (depois
regravada por Arnaldo em seu 1º álbum
solo Lóki?, de 1973), o álbum -
sintomaticamente chamdo de O A e o Z - é
o clique final na maravilhosa história
do grupo Mutantes. Algum tempo depois, Arnaldo
deixa o grupo e Dinho - Liminha e Sérgio
seguem com o projeto (ou novo projeto) Mutantes,
mas aí ja é outra história,
outra mutação, outro coração,
outra trip. (Marcelo Dolabela - bhz out/nov 1999).
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1-Panis
Et Circenses
2-Bat
Macumba
3-Virginia
4-She’s
My Shoo Shoo ( A Minha Menina)
5-I
Feel A Little spaced Out (ando Meio Desligado)
6-Baby
7-Tecnicolor
8-El
Justiciero
9-I’m
Sorry Baby (Desculpe Babe)
10-Maria
Fulô
11-Le
Premier Bonheur Du Jour
12-Saravah
13-Panis
Et Circenses (reprise)
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TECNICOLOR (Universal, gravado
em1970 e lançado em 1999) - Produção:
Carl Holmes
"Tecnicolor" – a penúltima
última viagem dos Mutantes
Existem coletâneas e coletâneas de sucesso.
Na maioria das vezes, são sofríveis. Acompanham
o bel-prazer – ou desprazer – das gravadoras.
Quase sempre, com a pretensão de atualizar a
obra do artista a onda do momento. Se o período
é de romantismo, a coletânea deve trazer
as canções mais melosas do artista. Poucos
artistas têm suas obras bem administradas. Beatles;
Madonna; Prince. Roberto Carlos; Marisa Monte; Paralamas
do Sucesso.
Os contratos de cessão de direitos fonográficos
ainda continuam na idade da pedra. Para as gravadoras,
tudo – ou quase tudo. O que já é
muito. Para os artistas, a possibilidade de fama, riqueza
e glória. Como o risco é grande e com
a incerteza não se deve brincar, geralmente,
um lado (as gravadoras) ganha e o outro (os artistas)
perde.
O mais absurdo dessa situação é
a falta de gerência do artista sobre sua própria
obra. Isso acontece no universo (da música pop)
que mais lucro produz. Na literatura, no cinema, nas
artes plásticas, esse desmando é raramente
aceito.
Assim, a grande vingança desse "dono que
nada possui" é quando ele administra sua
coletânea como um lançamento, não
como uma colcha de farrapos de retalho para encher mais
o cofre das gravadoras.
Sem dúvida, a primeira grande obra dentro desse
formato foi a gravação do álbum
"Tecnicolor" dos Mutantes, em 1970. Era, ao
mesmo tempo, uma brincadeira e um passo à frente,
uma coletânea e um álbum de carreira. Pois
dava nova roupagem para canções já
lançadas pelo grupo. Novas roupagens realmente.
Não uma gravaçãozinha com um adereço
a mais.
O grupo, em sua proposta de "revolução
permanente", no terceiro ano de sua carreira fonográfica
(a estréia se deu em 1968 com o álbum
"Os Mutantes"), sem medo e sem pudor, revirou
e reviu as entranhas de sua história.
Segundo Carlos Calado, "Tecnicolor" é
um "título virtual", provavelmente
bem posterior. O álbum foi gravado em Paris,
em novembro de 1970, no Des Dames Studio. Sob a produção
de Carl Holmes.
O álbum, para seguirmos um conceito da época,
faz uma coletânea de versões na melhor
acepção do Poema/Processo. Isto é,
versões a partir de obras primeiras que se transformam
em novas obras. É uma espécie de "Abbey
Road" (penúltimo disco dos Beatles) às
avessas. Esse disco do "Fab Four" foi gravado
depois do último ("Let It be") e foi
lançado antes. Esse dos Mutantes foi gravado
antes do "último" ("Mutantes &
Seus Cometas no País dos Baurets") e só
lançado duas décadas depois.
O disco é uma antologia especial. Pois reúne
repertório recente, do álbum "Jardim
Elétrico", do ano: "Virgínia";
"Tecnicolor"; "El justiciero" e
"Saravah", com sucessos anteriores. Os "hits"
tropicalistas: "Panis et circences" (em duas
versões); "Bat macumba"; "She’s
my Shoo Shoo" (isto é, a jorgeben-tropicalista
"A minha menina") e "Baby", a canção
mais regravada pelos Mutantes (três versões);
os clássicos "I feel a little spaced out"
("Ando meio desligado"); "Adeus Maria
Fulô" e "I’m sorry" ("Desculpe,
babe"); e o tributo aos anfitriões franceses,
uma regravação de "Le premier bonheur
du jour", já gravada no primeiro álbum
do grupo.
O efeito-Mutantes da empreitada é que o grupo,
não se fazendo de rogado, traduziu quase todas
as letras para o inglês. Exceto, obviamente, a
concretista e intraduzível "Bat macumba",
a brejeira "Adeus Maria Fulô" e a canção
francesa. "She’s my Shoo Shoo" ficou
mais Jorge Ben ainda. O refrão original, em português,
só aparece como coda.
"Tecnicolor" foi lançado em 2000. Além
da surpresa pela modernidade sonora, trouxe ilustrações
e textos manuscritos assinados por Sean Ono Lennon.
Isso mesmo, o filho "inteligente" de Yoko
Ono e John Lennon. Que, reza a lenda, disse julgar mais
revolucionário o grupo brasileiro do que o olímpico
grupo do pai. A colaboração estrangeira
foi vista como algum incomodo. Pois, como sempre, a
crítica especializada brasileira achou que Sean
não era a pessoa mais indicada para conceber
a capa. Bobagem, "fosse um dia de sol", como
diria Oswald de Andrade, o preconceito tupiniquim entenderia
que esse gesto foi mais uma confirmação
de que nosso "Astronauta Libertado", a cada
dia que passa, por mérito, é mais entronizado
no Panteão do pop-rock mundial. E que se aprenda
de uma vez, parafraseando, Tom Jobim, Os Mutantes, assim
como o Brasil, não é uma coisa para amadores.
(Marcelo Dolabela - bhz out/nov 2005).
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1-Sunshine
2-Sexy
Sua
3-Corta
Jaca
4-Trem
5-Emergindo
da Ciência
6- Raio
de Sol
7-Um
Pouco Assustador
8-Fique
Aqui Comigo
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ELO PERDIDO – ARNALDO & PATRULHA DO
ESPAÇO – (Vinil Urbano, 1988, inédito
em CD). Produção: Arnaldo & A Patrulha
do Espaço
SOLISTA IN SPACE PATROL
Depois do álbum Lóki?, de 1974, e antes
do Singin’alone, de 1981, Arnaldo Baptista viveu
sua fase hard-rock, ou melhor, sua fase lenha, para
usarmos uma expressão sessentista, até
hoje do vocabulário de Arnaldo, para designar
o ancestral rock pauleira. Nesta viagem no limite máximo,
teve por companhia o grupo Patrulha do Espaço.
A viagem lenha começa em 1975, quando Arnaldo
estrutura seu novo projeto, o grupo Space Patrol, inicialmente
com o baterista Zé Brasil; e, depois, com sua
primeira formação definida, com Rufino
e Dudu, nas guitarras; Cenoura, no contrabaixo; e Arnaldo,
na bateria com dois chimbaus, um de cada lado. Apenas
ensaios caseiros, com pequenos amplificadores e a companhia
de uma televisão ligada, sem som.
Em 1977, o grupo passa a se chamar Arnaldo & A Patrulha
do Espaço, continuando seus ensaios, já
com a seguinte formação: John Flavin,
na guitarra; Osvaldo Gennari “Cokinho”,
no contrabaixo; Rolando Castello Júnior, na bateria;
e Arnaldo, no piano e voz. No final do ano, o grupo
grava, no Estúdio Vice-Versa, com apoio irrestrito
do maestro Rogério Duprat, treze músicas,
em dois dias. O material, se adquirido por alguma gravadora,
teria uma mixagem definitiva. Sem interesse de gravadora,
o disco só veio á cena, mesmo assim parcialmente
e a partir de uma rough mix, extraída de uma
cópia de dois canais, onze anos depois, em 1988,
com o título de Elo Perdido.
Deste período, se revelam doze canções,
sendo que sete delas, Arnaldo regravaria no Singin’
Alone, ou na versão original ou vertida para
o inglês/português, com sutis, mas fundantes,
modificações em seu texto.
Elo Perdido repete do Singin’ Alone: O Sol, com
o título de Sunshine; Corta-jaca; Trem/Train;
Emergindo da Ciência/ Coming Through the Waves
of Science; e Raio de Sol/Sitting on the road side.*
De inéditas, temos: Sexy Sua, canção
de amor e sexo composta para a ex-namorada Martha Mellinger,
com seu título/refrão trocadilhescos –
sua: verbo? Pronome? -, pode ser resumida como um culto/exercício
prático da libido.
Um pouco assustador, exercita segundo Arnaldo, o jogo
reativo de encontros telepáticos. Onde, quem
participa do encontro se assusta e se auto conhece.
E Fique Aqui Comigo, Arnaldo trava um diálogo
com uma visitante desconhecida, que seria. Ao mesmo
tempo, parceira e platéia de um show-conversa
mental. (Marcelo Dolabela - bhz out/nov 1999).
*Conforme informação de Arnaldo Baptista,
o nome correto da música Raio de Sol é:
Sentado ao Lado da Estrada.
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1-Emergindo
da Ciência
2-Um
Pouco Assustador
3-Arnaldo
Soliszta
4-I
Feel In Love One Day
5-Cowboy
6-Hoje
de Manhã Eu Acordei
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FAREMOS UMA NOITADA EXCELENTE - ARNALDO &
PATRULHA DO ESPAÇO – (Vinil Urbano, 1988,
inédito em cd). Ao Vivo. Produção:
Roberto Takaharu Oka.
Em maio de 1978, já com mais um guitarrista,
Eduardo Chermont, o grupo se apresenta no Teatro São
Pedro, em São Paulo – SP. Da noite sairia
uma gravação amadora, lançada,
em 1988, no álbum Faremos Uma Noitada Excelente...
O disco traz as já conhecidas: Emergindo da Ciência,
Um Pouco Assustador, Fell in Love One Day, Cowboy e
Hoje de Manhã Eu Acordei, de inédita somente
a instrumental Arnaldo Soliszta, improviso ao piano,
à maneira de Hermeto Pascoal. O título
foi dado, posteriormente, por Rolando Castello Júnior
e abarca as várias capacidades e saberes de Arnaldo:
pianista, solista, fã do compositor húngaro
Franz Liszt (1811-1886) e, obviamente, solista, amante
do sol, leia-se, sunshine/LSD.
Nestes dois falsos rascunhos, na verdade songbooks de
sobrevivência e luta, Arnaldo escreve, em forma
de mosaico, sua revolucionária obra, entre a
louca-lucidez que envolve projetos de diálogos
e interlocuções, entre palco e platéia,
passado e futuro, vida e arte, ciência e sonho,
revelando que há sempre algo que falta, algo
que ficou irremediavelmente perdido, e que, a cada descoberta,
percebemos que é a incompletude que nos completa.
A obra solo de Arnaldo é isto, lacunas e elos
perdidos que se completam permanentemente.
Assim, que tenhamos novos e bons ouvidos e sejamos bem-vindos
ao Jardim do Sonho e da nova Ciência desta eterna
nova música chamada: Arnaldo Dias Baptista. (Marcelo
Dolabela - bhz out/nov 1999).
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1-Será
Que Eu Vou Virar Bolor?
2-Uma
Pessôa Só
3-Não
Estou Nem Aí
4-Vou
Me Afundar Na Lingerie
5-Honky
Tonky
6-Cê
Tá Pensando Que Eu Sou Loki?
7-Desculpe
8-Navegar
de Nôvo
9-Te
Amo Podes Crer
10-É
Fácil
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LÓKI? – ARNALDO BAPTISTA - (Philips,
1974) – Produção: Arnaldo Baptista
Jean-Luc Godard, depois de experimentar várias
radicalidades, demarcou o território impossível
de um artista: “Ninguém faz duas revoluções”,
e concluiu: “Ainda bem”.
Era como se mandasse um recado e predestinasse uma outra
voz para a esfinge, em forma de eufemismo, de paradoxo,
de axioma.
João Gilberto fez a revolução bossanovística;
Oswald de Andrade, o pau-brasil/antropófago;
Hélio Oticica, os parangolés do experimentar
o experimental. Com a Tropicália, que, antes
de estabelecer plenamente, foi “abortada”,
pelo AI-5 e suas seqüelas, talvez a maldição
godardiana foi diferente, cada tropicalista seguiu seu
rumo.
Com os Mutantes, não foi diferente. Arnaldo Baptista
– Rita Lee & Sérgio Dias escreveram
parábolas dentro e a partir de parábolas.
Viveram suas possibilidades coletivas, paralelas e individuais.
Arnaldo, na musicografia tropicalista e na própria
música brasileira, é o artista que saques
produziu para quebrar a maldição godardiana.
Depois de ser o motor dos Mutantes. Depois de produzir
os primeiros álbuns solos de Rita Lee _ Bluid
up, 1970 e Hoje é o primeiro dia do resto da
sua vida, de 1972. Depois de ir e vir. E partir para
a carreira solo. Levou o conceito de radicalização
ao extremo. Seu primeiro álbum-solo: Lóki?
(Philips, 1974), é, até hoje, o disco
mais visceralmente revolucionário da música
brasileira . Com um instrumental mínimo –
teclado (Arnaldo), contrabaixo (Liminha), bateria (Dinho)
e backing-vocals (Rita Lee) – (o último
encontro dos Mutantes), Lóki?, em dez canções,
passa a limpo toda a era do rock and roll e o que poderia
ter sido uma tropicália lisérgica. Sem
dúvida, o melhor elenco de canções
incluídas em um único álbum.
O formato do álbum é conceituado. Os dois
lados do disco abrem com canções chaves.
O lado A com “Será que vou virar bolor”
e o lado B “Ce ta pensando que sou Lóki?”.
Ambas trazem as inquietações pós-Mutantes
de Arnaldo. Qual o futuro? O esquecimento? (Bolor) ou
A loucura? (Lóki?). As outras oito canções
vão respondendo, cada uma, de uma forma e de
um ponto-de-vista. A minimalista canção
final “È fácil”, responde
com uma melodia supertrabalhada e uma miniletra: nem
o esquecimento nem a loucura, mas a genialidade da música.
É fácil!
As outras canções são: “Uma
pessoa só”, única faixa herdada
dos Mutantes, da época do A e o Z. Canção
utópica que aponta para a plenitude da convivência
humana, em um único corpo e em um único
projeto de vida.
“Não estou nem ai” é a antítese
de “Uma pessoa só”, o antípoda
que nega os projetos utópicos e enfrenta o mundo
material, o instant karma da vida cotidiana.
Continuando, a quarta canção do lado A
é “Vou me afundar na lingerie” é
a terceira possibilidade, nem o mundo utópico,
nem a dureza da vida cotidiana, mas o hedoismo, o ócio,
a prequiça como destruidores das opressões
e barras-pesadas.
Fechando o lado A, a instrumental “Honky tonky”,
com apenas Arnaldo no piano, em um misto de boogie woogie
e levada trans-stoneana, trans-“Honky tonky woman”.
O lado B, depois de “Ce ta pensando que sou Lóki?”,
traz “Desculpe”,uma releitura de “Desculpe,
babe”, de Arnaldo Baptista & Rita Lee , do
álbum A divina comédia ou ando meio desligado,
dos Mutantes de 1969. É uma outra resposta para
o impasse: esquecimento/ bolor/ lóki/ loucura.
O “amor” como a grande questão. O
dizer sim ou não. Perdoar ou não. Seguir
em frente.
A terceira canção “Navegar de novo”
é uma resposta concisa. É o bola pra frente”,
“o enfrentar as intempéries” e “seguir”.
A Cançao sequinte “Te amo podes crer”
é, talvez, a obra-prima das canções
de amor do rock brasileiro. Em dois minutos e cinqüenta
segundos, Arnaldo faz um tratado das dores de amores,
um Werther, um Tristão e Isolda, um Romeu e Julieta
com piano, sintetizador, contrabaixo elétrico
e bateria.
Fechando, a chave-de-ouro de “É fácil”.
E o conceito faz clique e se completa. Na era do CD,
algumas informações se perdem, mas uma
que, no vinil, fazia muito sentido ainda vale ser comentada.
Os dois lados do disco (A e B) trazem exatamente 16
minutos e 50 segundos, nem um nem dois segundos a mais
ou a menos. E no rodapé da ficha técnica,
uma única nota: “Este disco é para
ser ouvido em alto volume”. Aumentar o volume
não só do aparelho, mas do rock e das
emoções primitivas de cada um. (Marcelo
Dolabela - bhz out/nov 1999).
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1-I
Fell In Love One Day
2-O
Sol
3-Bomba
H sôbre São Paulo
4-Hoje
de Manhã Eu Acordei
5-Jesus
Come Back To Earth
6-The
Cowboy
7-Sitting
On The Road Side
8-Ciborg
9-Corta
Jaca
10-Coming
Through The Waves Of Science
11-Young
Blood
12-Train
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SINGIN’ ALONE – ARNALDO –
II ÁLBUM – (Baratos Afins, 1982) –
Produção: Arnaldo Baptista.
O CIBORG VALVULADO SINGIN’ ALONE.
Oito anos depois do último disco com os Mutantes
– O A e o Z, lançado só em 1992,
sete anos após seu primeiro álbum-solo
– Lóki? – e depois de várias
de várias experiências sonoras com o grupo
Patrulha do Espaço, Arnaldo, em 1981, à
maneira de Paul McCartney. Nos álbuns McCartney,
de 1970; o McCartney II, de 1981, volta aos estúdios
para gravar, tocando todos os instrumentos, as doze
músicas do álbum Singin’ alone.
Se Lóki? Trazia toda a genealidade desesperada
de suas viagens pós-Mutantes, agora, Arnaldo
teria de provar para si mesmo que todas suas teorias
e propostas musicais, que o afastaram dos Mutantes,
faziam sentido. Sua quase hercúlea obsessão
pela amplificação valvulada, em detrimento
da transistorizada, sua opção por guitarra
Gibson Les Paul, ao invés de Fender, e por contrabaixo
Gibson SG.
Antes, que o álbum viesse à luz, Arnaldo
fora internado no Hospital do Servidor Público
do Estado. Dias depois, se atira do terceiro andar,
do setor de psiquiatria. Com várias lesões,
fica, na estação do inferno, por longos
e sofridos quatro meses. Somente em maio de 1982, começa
a receber licença para deixar, temporariamente,
o hospital. Numa dessas idas, se recusa a voltar. Sob
os cuidados de Lucinha Barbosa, sua companheira, e da
DJ Sônia Abreu, vai aos poucos emergindo.
Para ver, ainda no primeiro semestre de 1982, a estreante
gravadora Baratos Afins, do amigo e fã Luís
Calanca, lançar, enfim, seu álbum Singin’
alone / Arnaldo II álbum. Num quase-lançamento,
Arnaldo realiza o show Abrindo a porta para uma nova
vida, no Tuca. Embora sem reais condições
psicológicas, o show serve para recomeçar
uma vida nova.
Se Lóki? É visceralmente explícito,
o Singin’ alone traz o outro lado da revolta.
Embora, mais suave, resgata sentimentos e memórias,
faz planos e discursos e arremata diálogos e
utopias.
Doze faixas compõem o disco.
“I fell in love one day “ é uma espécie
de outro lado da canção How do you sleep?,
de John Lennon, lançada um ano após o
término oficial dos Beatles, no álbum
Imagine, em 1971, cujo tema central é a desilusão
com o antigo parceiro Paul McCartney. Arnaldo, em seu
lamento, fala de suas principais paixões, ou
melhor, ilusões perdidas –a best friend,
a wife, a house, a group – e da dúvida
de possíveis reencontros. Ou, como bem resume
o próprio artista: I fell in love one day relata,
em letra, o avassalador poder destrutivo de certas seduções.
“ O sol” traz o personalíssimo estilo
de texto de Arnaldo, mesclando inglês com português,
e neologismo – superpopulado – e deslocamento
metafóricos: sunshine = sol = ácido =
LSD.
Em “Bomba H sobre São Paulo”, Arnaldo
vê a cidade de São Paulo sob um imenso
cogumelo atômico, do alto da Serra da Cantareira,
onde os Mutantes, já sem Rita Lee, tinham casas
_ a house perdida de I fell in love one day -. Ao mesmo
tempo que se vê São Paulo sendo destruída,
percebe que a Cantareira não escaparia à
hecatombe. Por sinal, foi na Cantareira que um incêndio
destruiu, por problema elétrico, o caminhão
de som do grupo, o Chevrolet Tenório.
“Hoje de manhã eu acordei” é
outra canção que trabalha um velho tema
pós- Mutantes, a necessidade de dialogar com
alguém que realmente entenda os novos tempos.
Sai em forma de monólogo e se constrói
em oposições vitais: sol x arco-íris;
eu x o outro; amor x solidão; Eros x Thanatos;
vida x morte.
“Jesus, come back to earth” tematiza, segundo
o próprio autor, a fé em um Deus geral,
um ente superior, no sentido tecnológico e não
divino, e o fascínio do desconhecimento de sua
sabedoria. Que, em síntese, ao ser compreendido,
todos os mistérios serão elucidados.
“Cowboy” foi composta a partir de um exercício
de aprimoramento na técnica de executar o contrabaixo.
A letra traz temas míticos de Arnaldo: sonho
x ciência, motocicletas e as viagens.
“Raio de sol”, vertida para o inglês,
com o título “Sitting on the road side”,
foi composta na estrada de Catanduva, e fala da dualidade
cansaço x repouso; ausência x presença;
solidão x companhia. Enquanto se espera a condição
para voltar o mundo que deixou para traz, não
custa pensar um pouco sobre o que já viveu.
“Ciborg” fala da preponderância da
matéria em relação a vida espiritual,
da relação vida biológica x vida
cibernética. E quando surgirá o ciborg
perfeito?
“Corta-jaca”, boogie-honk-tonk-rock’n’roll,
em homenagem ao avô paterno Horácio Baptista,
ex-prefeito da cidade paulista de Avaré, é
outra canção composta em uma viagem, à
pé, entre São Paulo e Catanduva. O título
remete à canção homônima
de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), de 1897, e ao duplo-sentido
do termo: passo tradicional do samba-de-roda e bajulador,
Na letra, Arnaldo, se utiliza do tema folclórico
se essa rua fosse minha..., joga com os opostos: cidade
x roça; rock’n’roll x cha cha cha;
passado x presente.
“Coming throuth the waves of science” é
a síntese da nova proposta existencial e musical
de Arnaldo. Claramente dedicada à sua saída
dos Mutantes e ao (ex-)amigo Michael J. Killinbeck,
engenheiro nuclear inglês, que no início
doa anos 70, morou no Brasil e foi um dos colaboradores
da edição nacional da revista Rolling
Stone. A música é um manifesto-editorial
que fala da desilusão, da descrença da
entrega a amigos e a projetos ideológicos e utópicos,
com direito a citação da stoneana Let
spend the night together.
“Young blood”, canção dedicada
à Silvia Helena, parceira do músico Zé
Brasil, co-fundador com Arnaldo da Space Patrol. O papo
é, ao mesmo tempo, juvenil – culto à
beleza física – e metafísica –
e que só a compreensão e o uso desta beleza/potência,
num sentido quase nitzscheano, poderá dar fim
a opressões e hipocrisias.
“Train”, outra canção de estrada,
composta em Londres, fala da hora necessária
de se voltar, porém, surge a pergunta: voltar
para onde? Se a canção, aparentemente,
não responde, o palimpsesto (o novo papiro brasileiro)
rock de Singin’ alone responde:voltar, para Arnaldo
Baptista, é, ao mesmo tempo, se distanciar, em
alta velocidade, do passado, e viabilizar, o mais rapidamente,
seus projetos futuros.
E como bônus na edição do cd, fechando
com chave de ouro , “Balada do louco”, de
Arnaldo Baptista & Rita Lee, do álbum Mutantes
e seus Cometas no País do Bauretz, de 1972, não
poderia ter sido melhor escolha. Primeira versão
integral de Arnaldo para este eterno hit dos Mutantes
(a voz da gravação original é de
Sérgio Dias; e no álbum Disco voador,
de 1987, Arnaldo verte o texto para o inglês –
Crazy-one’s ballas) prova que o Ciborg está
plenamente em forma para novos projetos.
Com produção artística de Guto
Graça Mello, arranjos e regência de cordas
de Daniel Salinas, e, na parte musical, o supertime
formado por: Márcio Lomiranda (da banda de Marina
Lima), nos teclados – Wander Taffo (ex-Joelho
de Porco, Secos & Molhados e Rádio Táxi),
na guitarra-solo – e, de empréstimo da
banda de apoio de Marisa Monte, o contrabaixista Fernando
Nunes e o baterista Cezinha.
Alone & together, Arnaldo incendeia as válvulas
da criatividade. (Marcelo Dolabela - bhz out/nov 1999).
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1-Eu
2-Rodas
3-Crazy
Ones Ballad
4-Traduções
5-Ovni
6-Maria
Lucia
7-Jesus
Volte Até aTerra
8-Le
foulle Balad
9-I
wanna To Take off Every Morning
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DISCO VOADOR - ARNALDO (BARATOS AFINS 1987,
inédito em CD)
Em 1987, Arnaldo lança sua mais radical experiência.
Pela Baratos e Afins sai a gravação caseira
– somente para fãs e experts – Disco
Voador Arnaldo Paz. Um songbook que capta o artista
em seu ambiente, em sua oficina-estúdio. A gravação
é tosca, mas traduz da melhor forma possível
o mundo musical de Arnaldo, onde estão presentes
suas experiências sonoras e sua opção
de timbres. Sua voz com vibrato, seus teclados destorcidos.
A grande surpresa do álbum são as duas
versões de “Balada do Louco” (Arnaldo
Baptista & Rita Lee) que Arnaldo faz para o inglês
– “Crazy one’s ballad” –
e para o francês – “Lê foulle
balad”. Outra ótima sacada é a tradução
de ”Jesus, come back to earth” para o português
“Jesus volte até a terra”. Mais seis
canções completam o disco: “Eu”,
“Rodas”, “OVNI”, “Maria
Lúcia”, “I wanna to take off every
morning”, (todas de Arnaldo) e a parceria de Arnaldo
& A. Alexandre: “Traduções”.
O Título-capa do álbum é uma verdadeira
arnaldice. Jogando com o trocadilho disco (álbum/vinil)
e disco-voador, o desenho (de Arnaldo) da capa une as
duas imagens e amplia o trocadilho/metáfora:
o álbum é um disco (vinil) e um disco-voador
raro (o álbum teve edição limitada)
e real. No meio do desenho, a palavra PAZ simula o centro
do espaço celeste e o furo do vinil que sustenta
o disco no prato do toca-disco. Ao girar, gira também
o céu e o vinil, revelando onde está o
disco-voador e as canções. (Marcelo
Dolabela - bhz out/nov 1999).
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1-Sucesso,
Aqui Vou Eu
2-Calma
3-Viagem
ao Fundo de Mim
4-Precisamos
de Irmãos
5-Macarrão
Com Linguiça e Pimentão
6-José
7-Hulla-Hulla
8-And
I Love Her
9-Tempo
Nublado
10-Prisioneira
do Amor
11-Eu
Vou Me Salvar
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BUILD UP - RITA LEE (Polydor - 1970) - Direção
Musical: Arnaldo Baptista A música
pop se funda na relação entre novidade
e redundância. Nesse jogo dialético, podemos
medir o grau de importância de um artista e de
uma obra.
Os LPs “Build up” e “Hoje é
o primeiro dia do resto da sua vida”, primeiros
álbuns solos de Rita Lee, lançados, respectivamente,
em 1970 e 1972, só podem ser lidos se bem entendida
essa relação.
São praticamente inclassificáveis. São
obras solos e, ao mesmo tempo, “codas” e
complementos da discografia oficial/não-oficial
dos Mutantes.
Nesses dois momentos, Rita Lee, ainda, era membro efetivo
dos Mutantes. Mas, mesmo assim, se lançou na
empreitada de projeto solo.
Atitude, relativamente, normal e salutar. Principalmente
se entendermos essa opção como oxigênio
para a trajetória de um grupo.
No Brasil, Mingo, dos grupos The Clevers/Os Incríveis,
foi o primeiro artista a caminhar por essa vereda.
Porém, o que surpreende nos dois LPs de Rita
Lee é que não foi respeitada a regra básica:
“seguir um rumo (individual) diferente das propostas
do grupo”. Afinal, para fazer “do mesmo”,
é melhor fazer “o mesmo”. Isto é,
mais um disco do grupo. A partir da década de
1980, essa prática se tornou comum: os titãs
Sérgio Brito e Paulo Miklos; Edgar Scandurra
e Nazi, do Ira!; Herbert Vianna, do Paralamas do Sucesso;
Frejat, do Barão Vermelho; Paula Toller e George
Israel, do Kid Abelha. Todos realizaram discos-solos
com traços para além dos muros da discografia
do grupo.
Com Rita Lee, nessas ocasiões, foi diferente.
Foi “o mesmo” inovador. Ou “uma inovação”
sobre o mesmo tema. Trocando o nome na capa e no selo
do disco – Rita Lee por Mutantes, ninguém
perceberia que estivesse ouvindo um álbum solo.
Mas como essa troca não foi realizada, estamos
diante de dois álbuns exclusivos de Rita Lee.
E que só existiriam da forma que foram lançados,
como discos solos. Estão, em uma avaliação,
mais detalhada, quilômetros de distância
da discografia dos Mutantes. Principalmente, se compararmos
“Build up” com a hiper-experimentação
tropicalista de “A Divina Comédia ou ando
meio desligado” e “Hoje é o primeiro
dia do resto de sua vida” com a lisergia psicodélica
de “Mutantes e seus cometas no País dos
Bauretz”, lançados nos mesmos períodos.
Dois personagens à procura de um autor? Um personagem
se multiplicado em dois autores?
A planta baixa dos dois discos solos são relativamente
semelhantes:
(1) composições do núcleo básico
– Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias
+ Liminha;
(2) arranjos de Arnaldo; e
(3) acompanhamento dos Mutantes.
“Build up” serviu de base para o espetáculo
“Bulid up eletronic fashion show”, da Rhodia,
na Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil),
em agosto daquele ano, que narrava a trajetória
e os (des)caminhos de uma artista (Rita Lee) rumo aos
estrelato.
Das canções do disco, temos da dupla Rita
& Arnaldo: “Sucesso, aqui vou eu (Build up)”
e “Macarrão com lingüiça e
pimentão”; de Rita e Elicio Decário
– que, na época, colaborou com “A
Divina Comédia” com “Ave Lúcifer”,
parceria com Rita & Arnaldo; e “Hey boy”,
com Arnaldo: “Hulla-hulla” –: “Tempo
nublado” e “Eu vou me salvar”; de
Decário solo: “Precisamos de irmãos”
e “Prisioneira do amor”; de Arnaldo: “Calma”;
a primeira composição assinada apenas
por Rita: “Viagem ao fundo de mim”; e “José
(Joseph)”, versão da parceira de tropicalismo
Nara Leão de uma composição de
Georges Moustaki; e o bolero-beatle “And I love
her (And I love him)”.
A faixa-título é a canção-roteiro.
Embora o título “Build up” estabeleça
a idéia de “construção pública
de uma imagem”, o álbum, na verdade, se
compõe de canções que sugerem “a
construção individual e íntima
de Rita Lee”, uma avassaladora “viagem”,
como sinaliza uma das canções, “ao
fundo de mim”. Tirando o nonsense da letra-receita
de “Macarrão com lingüiça e
pimentão” e o lirismo de “José”,
todas as outras letras são expressamente registradas
na primeira pessoa do singular (EU), com pequenas variações
para o plural (NÓS) ou desdobramento do EU +
VOCÊ:
“Já estou até vendo / meu nome brilhando
/ E o mundo aplaudindo / Ao me ver cantar / Ao me ver
dançar / I wanna be a star... / Eu direi adeus
/ Aos sonhos meus / Sucesso, aqui vou eu... / Eu vou
lutar / Eu vou subir e conseguir...”; “Calma,
calma / Sinto, mas tudo que eu quero / É só
fugir de você...”; “... Em câmara
lenta voar / Eu sinto você me amar...”;
“Eu preciso de canções e amigos
/ De amor, de flores, de abrigo...”; “Estou
indo para uma ilha...”; “Onde estará
você, meu amor? / Onde estará você?...”
e “Eu vou me salvar / Eu vou me salvar / Para
garantir a minha vida eterna...”. (Marcelo
Dolabela - bhz jul/agosto 2005).
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1-Vamos
Tratar da Saúde
2-Beija-me
Amor
3-Hoje
é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida
4-Teimosia
5-Frique
Comigo
6-Amor
Branco e Preto
7-Toroleite
8-Tapupukitipa
9-De
Novo Aqui Meu Bom José
10-Superfície
do Planeta
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HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DE SUA
VIDA (Polydor - 1972) - Direção
de Produção: Arnaldo Baptista.
Dois anos após “Build up”, Rita
Lee lança seu segundo álbum solo. A situação
já é bem diferente. Se antes, Rita ainda
era uma efetiva mutante; agora, a opção
do grupo pelo rock progressivo (leia-se: influência
do grupo Yes), praticamente jogava a artista para fora
do Planeta dos Bauretz. Seu segundo disco é uma
despedida e, ao mesmo tempo, o álbum mais Mutantes
de todos os trabalhos do grupo. Nenhum dos seis álbuns
da primeira fase do grupo – 1968-1972 –
foi composto exclusivamente pelos integrantes, todos
tiveram colaborações externas. O “Hoje
é...”, não. Todas as faixas foram
compostas pelo núcleo Arnaldo-Rita & Sérgio
+ Liminha: “Vamos tratar da saúde”;
“Beija-me, amor”; “Hoje é o
primeiro dia do resto da sua vida”; “Teimosa”;
“Frique comigo”; “Amor branco e preto”;
“Tiroleite”; “Tapupukitipa”;
“De novo aqui, meu bom José?” (resposta
irônica a lírica “José (Joseph)”,
do “Build up”); “Superfície
do planeta”. A censura retalhou algumas letras
que, de ácidas, se transformaram em líricas.
Em “Beija-me, amor”, ouvimos: “Para
que eu sinta o seu gosto / Mesclado com o gosto de amor
/ “Mastigado entre os dentes meus...”. Mas,
na verdade, o texto original dizia: “Para que
eu sinta a saliva / E o gosto de cuspe / Escorrendo
entre os dentes meus...”, (cf.: Carlos Calado:
“A Divina Comédia dos Mutantes”,
pág.285).
O único furo (novidade) no bloqueio-Mutantes
é a (estréia) participação
da cantora, compositora e instrumentista Lucia Turnbull,
nos vocais. Futura parceira de Rita no projeto pós-Mutantes
Cilibrinas do Éden, em 1973. Dupla que serviria
de base, no ano seguinte, para o grupo Tutti Frutti,
com a entrada do guitarrista Luiz Sérgio e do
contrabaixista Lee Marcucci. Álbum de estréia:
“Atrás do porto tem uma cidade”.
Embora contemporâneo do LP “Mutantes e seus
cometas no País dos Bauretz”, “Hoje
é...” é um volta e/ou um símile
do primeiro disco do grupo – “Os Mutantes
–, de 1968. Uma audição (e uma visão)
atenta de ambos mostra a estranha e estrondosa semelhança.
A começar pelas capas: o álbum de 1968
traz, na contracapa, um pequeno desenho do grupo feito
por Rita; no álbum solo, a capa traz um auto-retrato
de Rita, a simplicidade gráfica esconde para
revelar um dos elementos básicos da estética
do grupo: o humor. O que, infelizmente, a opç&a | | | |