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A Genialidade Valvulada

Rogério Duprat, no vídeo-documentário Maldito popular brasileiro: Arnaldo Dias Baptista, de Patrícia Moran, foi categórico em suas duas aparições: Os Mutantes foram a coisa mais importante do tropicalismo. E ninguém conseguiu deixar isto claro. Mas eu sei bem disso que a cabeça disto tudo, a cabeça dos Mutantes era o Arnaldo Baptista. (...) Insisto e resumo, em poucas palavras, o Arnaldo é responsável por quase tudo que aconteceu de 67 pra frente.

Kurt Cobain, em sua passagem pelo Brasil, saudou Arnaldo com uma carta-elogio.

Mas o que há entre a arqueológica opinião de Duprat e a missiva de Cobain? Mitificação a um artista louco? Ou uma outra versão para uma história já sedimentada?

Bom, Arnaldo, assim como Rita Lee e Sérgio Dias, teve sua vida e sua obra fracionada em duas etapas: a das glórias da Tropicália e dos Mutantes; e, no caso de Arnaldo, da piração posterior. Mas o que dizer dos cinco álbuns de sua carreira solo? E como chamar de loucura sua opção pela amplificação valvulada, agora que novas gerações de valvulados demonstram, mais uma vezes, a sua supremacia perante os leves e descartáveis transistores? Seria loucura também sua opção por guitarra Gibson em detrimento da Fender, usada por seu irmão Sérgio? E seus dois livros de ficção científica? E suas centenas de pinturas a óleo?

A verdade é que a genialidade de Arnaldo só poderia ser tratada, pela mentalidade mediocrizante brasileira, de um forma, como loucura. Nem uma possível morte, várias vezes anunciada, seria adequada. A loucura. Assim teríamos nosso Syd Barrett, nosso Arthur Rimbaud, nosso Antonin Artaud. Mas contra este estigma, basta apenas ouvir a obra de A.B.

Seu primeiro álbum-solo, Lóki? é, sem dúvida a obra-prima do rock brasileiro. Lançando em 1974, com a participação dos Mutantes - Rita, Liminha e Dinho - e arranjo de Duprat, e com a recomendação: este disco é para ser ouvido em alto volume, traz: Será que eu vou virar bolor?, Uma pessoa só - do repertório derradeiro dos Mutantes -, Não estou nem aí, vou me afundar na lingerie, Cê tá pensando que eu sou lóki?, Te amo podes crer e outras. Na seqüência, Arnaldo se transfere para o Rio de Janeiro, formando o grupo Unzioutros, com Lulu Santos.

Em 1976, passa a tocar com o grupo Patrulha do Espaço - John Flavin, guitarra; Osvaldo Gennari, contrabaixo; e Rolando Castello Júnior, bateria. No ano seguinte, grava um álbum no Estúdio Vice-Versa, que se manteria inédito até 1988, quando Osvaldo e Rolando remasterizam a fita original e lançam o LP Elo perdido, que traz Sunshine, Sexy sua, Corta Jaca, Trem, Emergindo da ciência, Raio de sol, Um pouco assustador e Fique comigo.

Em 1980, lança o álbum Singin' Alone, na estréia do selo Baratos Afins, de Luís Calanca. Arnaldo toca todos os instrumentos. No repertório: I feel in love one day, O Sol, Hoje de manhã eu acordei, Sitting on the road side, Ciborg, Young blood, entre outras.

No início de 1982, internado em uma clínica de São Paulo, sofre acidente. Sua fama de louco e suicida volta à cena.

Em 1987, Rolando Castello lança novo material da época do Patrulha. Agora trechos de uma gravação ao vivo, de 1978. O álbum Faremos uma noitada excelente... traz, basicamente, músicas do Elo perdido e do Singin' alone, exceção para a instrumental Arnaldo Soliszta. Ainda em 1987, a Baratos Afins lança, em edição limitada para fãs, o caseiro álbum Disco voador, gravado originalmente em dois canais, pelo artista, e masterizado no Vice-Versa. O disco traz duas versões, em francês e inglês de Balada de um louco e outras sete composições.

Em 1989, a gravadora Eldorado lança o álbum-homenagem Sanguinho novo... Arnaldo Baptista revisitado, com as participações dos grupos Sexo Explícito, 3 Hombres, Vzyadoq Moe, Sepultura, Último Número, Akira S. & As Garotas Que Erraram, Ratos de Porão, Fellini, Atahualpa Y Us Panquis, Maria Angélica e de Skowa e Paulo Miklos.

A partir daí a moeda-Arnaldo Baptista volta a circulação em regravações - Kid Abelha, Lobão, João Penca & Os Miquinhos Amestrados, Paula Morelembaum, Pato Fu e outros -, mostrando um pouco da monumental, e desconhecida, obra do Gepetto valvulado de Juiz de Fora.

Marcelo Dolabela

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ARNALDO DIAS BAPTISTA


Os DJs botaram o som para rodar nos pratos das pistas americanas e européias. Selos como o Omplatten e Luaka Bop re-editaram obras e levaram coletâneas para as lojas. Através desta equação, os tropicalistas e Os Mutantes elevaram as temperaturas da amena cena musical do final do século 20. “A gente sabia que algo assim deveria ter existido, mas não tínhamos a mínima idéia de que seria tão perfeito”, comentou Ben Ratliff, no The New York Times em 17 de maio de1998. Tudo bem, Ben, a gente também sabia que um dia a descoberta ia acontecer, só não imaginava que demoraria 30 anos.

Os Mutantes, como era de se esperar, atingiram em cheio o mundo pop-rock. Kurt Cobain chegou a trocar bilhetes com Arnaldo Baptista e saiu do Brasil em 1993 com toda a discografia do grupo debaixo do braço. Beck chamou de Mutations seu CD lançado em 1999 repleto de influências tropicalistas. Sean Lennon parou o carro quando colocou o som dos Mutantes no disc-player e acabou contribuindo com parte do trabalho gráfico do CD Tecnicolor em 2000. A lista continua: Stereolab, Torloise, High Llamas... Wondermints.

A obra dos Mutantes – e a de Arnaldo Baptista pós-Mutantes – é até hoje uma das mais representativas do pop-rock brasileiro. Talvez por conta disso exista uma dificuldade em dissociar Arnaldo Baptista dos Mutantes ou lhe conceder o merecido lugar de destaque no grupo e na história da música brasileira. Esse desvio histórico já havia sido apontado pelo maestro Rogério Duprat – arranjador de Os Mutantes e quem apresentou o trio aos tropicalistas. Duprat comentou ao ser entrevistado para o vídeo-documentário Maldito Popular Brasileiro sobre Arnaldo, de Patrícia Moran (1990): “Os Mutantes foram a coisa mais importante do tropicalismo. E ninguém conseguiu deixar isso claro. Mas eu sei bem disso e que a cabeça disso tudo, a cabeça dos Mutantes era o Arnaldo Baptista. Insisto e resumo, em poucas palavras: o Arnaldo é responsável por quase tudo que aconteceu de 1967 para frente”. Quando perguntado por que havia deixado o grupo em 1973, o baixista Liminha explicou: “Com a saída de Arnaldo, os Mutantes perderam todo o carisma. Ele era brilhante”.

Poeta, músico e ícone brasileiro

Arnaldo Dias Baptista nasceu em São Paulo em 1948. Seu pai, César Dias Baptista, era jornalista, poeta e cantor lírico. A mãe, Clarisse Leite Dias Baptista era pianista concertista erudita e foi a primeira mulher no mundo a escrever um concerto para piano e orquestra. Nesta atmosfera foram criados os três filhos do casal: Cláudio, Sérgio e Arnaldo.

De 1955 a 1959 Arnaldo estudou piano clássico, sendo uma de suas professoras a própria mãe. Frequentou cursos de nível universitário de maestro e regência, canto orfeônico e teoria harmônica. De 1961 a 62 fez curso de dança; de 1962 a 63 estudou contrabaixo clássico; de 1963 a 65, violão e inglês; de 66 a 67, alemão. Durante boa parte com os Mutantes (1967 a 1974) dedicou-se ainda ao piano jazz-rock e à dança moderna no badalado Ballet Stagium de São Paulo. De 76 a 79, retomou cursos de piano clássico, estudou esperanto, russo e deu continuidade às aulas de ballet.

Toda esta bagagem seria levada para Os Mutantes, que se formou como tal em 1967, resultado de várias outras formações de bandas originadas nos tempos do colégio. Segundo Manoel Berenbein – produtor da Phillips no final dos anos 60 e quem apresentou o trio para a gravadora – os Mutantes só tiveram seus LPs gravados graças a coragem e impulso do francês Alain Troussat, então presidente da Philips. Alain deixaria o posto no início de 1968, porque era bibliófilo e não encontrava livros para ler no Brasil por causa da forte censura imposta pela ditadura militar. Uma das verdades da biografia do grupo é que, terminado o contrato, a Phillips apresentou a porta de saída aos Mutantes. Eles nunca foram grandes vendedores de discos, mas criaram uma legião fiel de fãs pelo país: faziam muitos shows e participavam de programas e comerciais de TV.

Um ano depois de deixar Os Mutantes (1973), Arnaldo entrou em estúdio para produzir seu primeiro disco solo, Loki?, uma obrigação contratual que a gravadora teve de cumprir. Arnaldo chamou os ex-Mutantes Dinho (bateria) e Liminha (baixo e vocais) e o arranjador Rogério Duprat para participar do LP. Rita Lee também veio para alguns backing vocals. A produção ficou a cargo de Roberto Menescal. Mas o público mal soube da existência de Loki?, que pouco depois desapareceria do mercado. Quem teve a chance, comprou. Outros tiveram que se contentar em copiar de quem por ventura estava lá na hora certa, olhando na prateleira certa da loja. Loki? é até hoje considerado pelos críticos um dos discos mais geniais da música brasileira.

Toda a obra solo de Arnaldo Dias Baptista (e mesmo a com os Mutantes) está fora de catálogo ou nunca foi gravada em estúdio. Uma galeria de mais de 30 músicas, finas e poderosas jóias musicais, testemunho sonoro da genialidade de Arnaldo. É o caso do aclamado solo Loki?, de 1975. É o caso mesmo de Singin’ Alone, gravado em 1980/81, lançado só em 1982 pelo selo independente Baratos Afins e relançado (em CD) em 1995 pela Virgin. A produção de Arnaldo de 1978 a 1979 com a Patrulha do Espaço (Elo Perdido e Faremos uma Noitada Excelente...), nunca foi lançada em CD.

Do LP Elo Perdido existem ainda cinco músicas que faziam parte da master, mas não foram incluídas no LP e simplesmente sumiram. Só ficou mesmo um registro em K-7. Por conta disso, foram apelidadas pelo círculo íntimo de Arnaldo de Elo Mais que Perdido. São elas: “Imagino”( resgatada em Let it Bed), “Singin’ Again”, “Cowboy”, “Sanguinho Novo” e “Sr. Empresário”.

Todos os discos dos Mutantes estão também fora de catálogo e só podem ser comprados no Brasil via mercado internacional. Tecnicolor – gravado pelo grupo na Paris de 1970 e repleto de versões em inglês – foi lançado só em 2000 pela Universal e já se tornou outra raridade no Brasil. Quando encontrado, custa o dobro de um CD comum.

Giving enough a chance

Arnaldo sempre teve um público ávido por sua música e poesia. Mesmo depois do sério acidente que sofreu em 1982 e o consequente longo período de recuperação, Arnaldo continuou sendo cultuado pelas gerações seguintes, nos bares, nos festivais de música, nos centros acadêmicos, nas regravações de suas músicas por dezenas de grupos e artistas, do mainstream ao underground. Uma das mais recentes cartas de fãs é de uma garota de 13 anos. “É uma coisa de pai para filho mesmo – o pai era fã e passa isso para o filho”, comenta Lucinha Barbosa, companheira de Arnaldo. “Tem este enfoque da mensagem do Arnaldo depois do Loki?. Existe uma tecla em que todos batem quando vêm falar com ele: ‘você mudou a minha vida!’”.

Mesmo durante o tempo em que se recuperava, Arnaldo não parou de produzir. Lucinha Barbosa, sua companheira desde o acidente, levou-o para um belo sítio nos arredores da cidade de Juiz de Fora, estado de Minas Gerais. Rodeado pela natureza, Arnaldo descobriu o desenho e a pintura como terapia ocupacional – pareciam centenas espalhados pela casa quando o entrevistei pela primeira vez em 1989. Escreveu um total de oito livros de ficção científica. Tornou-se vegetariano. Em 1987 lançou o LP Disco Voador, gravado no sítio de forma precária.

Quem conhece Arnaldo sabe que o amor incondicional de Lucinha foi o elemento auspicioso em seu processo de recuperação. Lucinha e Arnaldo se viram pela primeira vez em 1973 na versão brasileira do Woodstock, o Festival de São Lourenço. Lucinha voltou a encontrá-lo em 1977 e passou a ser uma das namoradas. “Era um relacionamento sem compromissos e obrigações”, explica ela.

Arnaldo passou a aparecer novamente em público a partir de 1989, quando foi homenageado na coletânea Sanguinho Novo por doze bandas de peso do rock brasileiro dos anos 80 – incluindo o Sepultura. Participou do último dos três dias de shows de lançamento do LP no Aeroanta, em São Paulo. Em 1990 fez sua primeira Exposição de Desenhos e Pinturas no centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais. Em 1992 a mesma exposição seguiu para a Galeria da Pizzaria Cristal em São Paulo. Em 1993 fez outra Exposição de Pinturas no Centro Cultural da Universidade Federal de São Carlos. Com a legião de fãs jovens crescendo, começou a pintar camisetas e cartões. No mesmo ano foi convidado especial na comemoração dos onze anos do Circo Voador no Rio de Janeiro, pintando um quadro ao vivo durante a apresentação do músico Celso Blues Boy. Em 1995 regrava um de seus hits, “Balada do Louco”, para ser incluído lançamento em CD de Singin’ Alone pela Virgin.

Em 2000, Arnaldo começou a subir no palco de grandes eventos. No mesmo ano fez uma participação especial ao lado de Sean Lennon no Free Jazz Festival. Em april de 2001 foi convidado para o festival April Pro Rock. Junto de Lobão, tocou clássicos como “Sanguinho Novo”, “Sexy Sua”, “Ando Meio Desligado” e “Senhor Empresário” para uma audiência de mais de 100 mil pessoas. Como descreveu a jornalista Débora Nascimento, “a atmosfera de reverência (a Lobão) não se comparou à reação do público à chegada de Arnaldo Baptista”. Em dezembro, subiu novamente ao palco no show de lançamento na praia de Copacabana do CD Dê uma Chance à Paz, tributo para os 20 anos da morte de John Lennon. Arnaldo participou de duas faixas, com duas versões diferentes para o clássico de Lennon “Give Peace a Chance”. Uma traz a parceria de Arnaldo com Charles Gavin, dos Titãs e Andreas Kisser, do Sepultura. A outra vem com produção de Yuka Honda & Cibo Matto. O lançamento do CD foi vinculado à Campanha Contra a Violência e os royalties do CD doados à organizações não governamentais do Rio voltadas para o combate à violência, como Viva Rio e Sou da Paz.

Mas foi já em 1995 que Arnaldo retomou a música de forma mais sistemática, depois de Lucinha ter conseguido finalmente juntar verba para completar o estúdio no sítio de Juiz de Fora. Compraram primeiro dois amplificadores valvulados Audio Research: “os melhores do mundo”, comentou Arnaldo durante a escolha. Nesta época ele também ganhou um baixo Gibson SG igual ao de Jack Bruce, do Cream, de um amigo-fã, Alexandre Cotta . “Aí incorporamos duas baterias, um piano”, contou Lucinha.

Jack Bruce faz parte da lista melhor dos melhores de Arnaldo Baptista. No famoso exercício: ‘Quem você chamaria para uma banda?’, Arnaldo não titubeia: Jimmy Page, do Led Zeppelin; Nigel Olson, ex-baterista do Elton John, Tony Kaye, tecladista do Yes e Jack Bruce, no baixo.

O CD Let it Bed, o livro Rebelde entre os Rebeldes, a volta dos Mutantes aos palcos, o documentário Loki-Arnaldo Baptista e o Arnaldo artista plástico

O lançamento de Let it Bed em 2004, com produção de John Ulhoa e pré-produção de Rubs Troll, foi um dos mais aclamados pela crítica e público. A idéia de finalmente gravar Let it Bed aconteceu quando John Ulhoa, da banda Pato Fu, foi a Juiz de Fora montar um PC para Arnaldo com vários programas de áudio. John e Rubinho Trol começaram a mostrar a Arnaldo as possibilidades dessas novas tecnologias, recursos que há alguns anos só eram possíveis em estúdios caríssimos e agora estavam bem à mão, para serem usados em casa mesmo. “Por isso este disco é o encontro de Arnaldo com esta tecnologia”, explica John. “Uma coisa era importante para nós”, continua John. “Não queríamos um CD que soasse como um disco moderninho de música eletrônica com ‘samples’ do Arnaldo. Isso seria fácil fazer. Queríamos que ele registrasse à sua maneira suas novas canções e depois ajudaríamos a dar um acabamento à altura de seu talento”.

Arnaldo fala sobre Let it Bed: “Quando ouvi tudo depois de produzido foi uma espécie de ‘total caixinha de surpresas’. Fizeram de uma forma que o rendimento ficou ótimo: tipo one man band. Outro lado interessante foi o pragmático da letra. O fato de eu ter à minha volta pessoas tão diversas, em termos de filosofia e ideologias, me levou a criar letras na hora buscando um espírito de total conexão.

Também percebi algumas modificações, no sentido de buscar uma performance melhor, experimentar mais. Mas o principal mesmo foi o amor: eu posso ter tocado todos os intrumentos neste disco, mas o principal foi ter tocado com amor”.

Let it Bed recebeu diversos prêmios, entre o Prêmio Claro de Música Independente, de 2005, e dezenas e dezenas de matérias na imprensa, blogs de música e sites de fãs.

Em 2006, em uma tacada de mestre, o espaço londrino Barbican quis fechar sua exposição-evento de três meses sobre a Tropicália reunindo os Mutantes. Milagrosamente conseguiram e, durante um ano e meio, os Mutantes – com a participação de Arnaldo Baptista e Zélia Duncan, além de uma banda de jovens talentosos montada por Sérgio Dias – saíram em uma turnê pelos EUA e Europa. Depois disso, Arnaldo e Zélia voltaram para sua atividades normais e a banda hoje segue fazendo shows, tendo à frente Sérgio Dias Baptista.

Em 2008, Arnaldo lançou pela Rocco um livro que escreveu nos anos 80, Rebelde entre os Rebeldes, um romance de ficção científica, que mistura psicoldelia com cosmo, música, espiritismo, ciência, moto, nave espacial, telepatia... delicioso de ler e que tem um apelo fantástico para o público mais jovem. Rebelde entre os Rebeldes recebeu diversas resenhas na imprensa. Como disse Jotabê Medeiros no O Estado de São Paulo: “o resultado (do livro) é essa ficção retrofuturista que acredita no caráter transgressivo e transcendente da música, que parece prima-irmã de ‘Barbarella’ e que se assusta com a violência da era atômica pós-Hiroshima e Nagasaki. Arnaldo é um combatente anti-racionalista desde a mais tenra idade. No seu apego ‘a tudo que foge ao universo visível’ está uma estratégia de revalorização humanística, que é muito bem-vinda.”

Logo depois, e ainda em 2008, o Canal Brasil lança o filme-documentário Loki-Arnaldo Baptista, com direção de Paulo Henrique Fontenelle, primeiro longa produzido pelo Canal Brasil e que vinha sendo gravado desde 2004. O filme circulou pelos principais festivais de cinema, ganhando prêmios em São Paulo, Rio, Cuiabá, Miami, Toronto e Nova York, entre eles o Prêmio ACIE de cinema da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeiro. Foi lançado em DVD em 2009. Recentemente, Loki-Arnaldo Baptista apareceu como finalista em quatro categorias para o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2010 da Academia Brasileira de Cinema: melhor longa-metragem documentário, melhor montagem documentário, melhor som e melhor trilha sonora original.

Um lado exposto no documentário é justamente o do Arnaldo Baptista pintor. A elaboração de uma tela aparece no filme entremeada com depoimentos de Tom Zé, Lobão, Liminha, Lucinha Barbosa (mulher de Arnaldo e Produtora Associada) e Sean Lennon (filho do ex-beatle e fã dos Mutantes), entre tantos outros.

No final dos anos 70, Arnaldo teve o filho Daniel com Martha Mellinger, com quem viveu por dois anos. Daniel Mellinger Dias Baptista hoje ajuda a manter e preservar a obra do pai. É dele a construção do canal oficial do artista no You Tube e também de clips-fotomontagens de toda sua obra solo.

Arnaldo vive há 30 anos com a companheira Lucinha Barbosa, conhecida pela sua dedicação e amor incondicional à Arnaldo e incansável esforço e paixão na perpetuação de seu trabalho.

Em 2010, com curadoria da galeria Emma Thomas, Arnaldo participa da Feira SP-Arte 2010 com 16 desenhos.
Sua arte reflete sua filosofia, poesia e a criatividade vanguardista conhecidas em sua carreira musical. “Assim como os artistas do movimento CoBra, Arnaldo trabalha de forma espontânea, experimental e com ênfase no imaginário fantástico. A expressividade através do uso de cores e texturas permeiam tanto o universo da psicodelia quanto da arte contemporânea.
As obras apresentam uma forte narrativa, desconstruindo e recriando outros significados com os elementos compositivos da imagem; a figuração, a colagem, o brilho, a saturação e o erotismo. As possibilidades da linguagem são exploradas com liberdade, ousadia e desprendimento formal pelo artista”, comenta Juliana Freire, da Emma Thomas.

Em agosto de 2010, @ArnaldoBaptista começou a twittar diariamente. E ganhou uma página oficial no Facebook de fãs e admiradores: Arnaldo Baptista-Mutantes, criada pelo Canal Brasil, mas que hoje está sob administração da assistente Sonia Maia, que também montou um blog – Arnaldo Dias Baptista as a fine artist – para apresentar seu trabalho como artista plástico ao seu público.
Desde o início de sua carreira, Arnaldo mostrou uma capacidade surpreendente de auto-reciclagem. Ele permite facilmente que novos elementos entrem em sua música e arte. Parece que sua missão é apontar um futuro que ainda não existe, mas pode ser sentido.

Texto final: Sonia Maia
Pesquisa: Lucinha Barbosa e Marcelo Lopes

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BIOGRAFIA

 


Foto: Grace Lagoa

Arnaldo Dias Baptista

Data de Nascimento: 06 de julho de 1948

Local de Nascimento: São Paulo - SP

Filiação: César Dias Baptista e Clarisse Leite Dias Baptista

Signo: Câncer

 

Balada do Louco


Mário Pacheco
Independente 1991

A Divina Comédia dos Mutantes

Carlos Calado
Ed. 34 - 1995